Se vão cem anos
de cena cínica
e lhe dizem:
a cena mudou
a surra cessou
não podem forçá-lo
mas saem sérios
acenam surra
e querem caçá-lo
alguém sussurra:
a princesa assinou
mas suspeito
daquele sujeito
vestido de preto
acho que ignorou
Os corpos II (desditos)
Você sorria de lá, eu me calava de cá.
As palavras eram todas plumas:
cabelos, o teu corpo, meu corpo.
O corpo.
Você sorri, e eu te afago;
você se cala, eu me calo.
Insistente, volto a te enlaçar:
os meus braços, a tua mão;
o teu cabelo e a tua nuca:
a língua, o pescoço, a boca, o cheiro e o olhar:
você sorri, e eu te abraço
- palavras sussurradas, eu me calo.
Volvo o olhar em cada fragmento;
lanço a língua e você me alcança:
mãos, os corpos, o pescoço, o cheiro;
e você freme e estremece;
e eu me entrego e te abraço;
a língua, os peitos, o teu colo;
e você geme, se debate, me arranha, se desfaz
- lumina in lacrimas, eu me calo.
Palavras-chave: drummondiano, tesão, mulher, eros.
Angústia Pós-Moderna
Não há proposta vazia,
cadeira macia,
afeto ocasional...
Hipocrisia sincera
de quem não se importa realmente
do fundo do coração.
Não há tensão,
frio no estômago de emoção...
Se quer existe razão!
Questionada a vida,
o amor, a morte e deus...
Até questionar se tornou uma questão!
Exaltar a beleza,
não põe a mesa,
nem compõe alguma canção.
Não basta falar, pensar, escrever...
quiçá profetizar, o que obviamente irá acontecer
se alguém assim o interpretar.
Nem mesmo a dor
de não saber o que falar
diz algo de novo!
Nem por isso me comovo.
Não, permaneço fingindo.
As vezes até choro, para parecer que ligo.
Agora, questiono apenas o que nunca foi dito
Exalto o que não pode ser visto ou sentido
e nego tudo o que for preciso.
cadeira macia,
afeto ocasional...
Hipocrisia sincera
de quem não se importa realmente
do fundo do coração.
Não há tensão,
frio no estômago de emoção...
Se quer existe razão!
Questionada a vida,
o amor, a morte e deus...
Até questionar se tornou uma questão!
Exaltar a beleza,
não põe a mesa,
nem compõe alguma canção.
Não basta falar, pensar, escrever...
quiçá profetizar, o que obviamente irá acontecer
se alguém assim o interpretar.
Nem mesmo a dor
de não saber o que falar
diz algo de novo!
Nem por isso me comovo.
Não, permaneço fingindo.
As vezes até choro, para parecer que ligo.
Agora, questiono apenas o que nunca foi dito
Exalto o que não pode ser visto ou sentido
e nego tudo o que for preciso.
Metafísico triste
O homem é supérfluo
sem(en) identidade
Criou-te, ó Deus
para de ti
Criar-se.
É Teu criado-criador.
Criatura rota
Abismo de si mesma
O poema inacabado
A metáfora inconcebível
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